sexta-feira, 22 de julho de 2011

Cabelo

Cortei o cabelo! De novo.

Pra quem me conhece sabe que isso não é novidade nenhuma. Meu cabelo deve ser o que mais muda na minha imagem. Eu mudo a cor, o corte e o que mais puder. Por qualquer motivo.

Se tiver um evento eu enrolo. Se mudar de cidade eu corto. Se tá tudo muito parado eu tonalizo. É como uma diversão!

Um dia dá uma louca e deixo crescer. Dura alguns meses. Mas tenho que esquecer que ele existe! E ai é um desespero. Lá no fundo eu gostaria de mudar de cabelo como mudo de roupa. Se tiver uma festa coloco aquele cabelão loiro sexy e o vestido decotado. Se for para trabalhar vamos manter o curto arrumado e reservado junto com o terninho preto - para garantir o respeito. Na balada, porque não um todo repicado e pink?! Meu sonho...

Dizem por ai que as mulheres mudam o cabelo quando trocam de namorado. Pra mim isso é muito sério! E bem real. Porém não é a única razão. Todas as outras razões do mundo são válidas pra mim.

Tenho amigos que fazem aposta de como estará o meu cabelo. Cores e tamanhos.

Ele já foi de tudo. Longo, médio, curto, curtíssimo. Loiro quase branco ao preto - passando por todas as nuances e finalmente vermelho, uma infinidade de tons de vermelho. E todas ao mesmo tempo. E ai quando parece que ficou bom, eu vou lá e invento umas mechinhas. Mechas mais claras, mais escuras ou de outra cor.

Quando me casei perguntei pro meu marido: que cor vc quer no meu cabelo? Ele disse vermelho. Não contente com a resposta eu passei o vermelho. E depois fiz mechas loiras, castanhas e pretas - de uma vez só.

Meu único problema é a falta de paciência com quem faz tudo isso. Na mesma intensidade que gosto de mudar eu desgosto de ir ao cabeleireiro! Tudo demora. E passa a cor e lava e passa a outra e lava e faz mecha e lava e tem um tal que tonalizar depois... aff! Não sou alucinada pelo salão. Às vezes faço em casa mesmo: enrolar, cortar ou tonalizar.

Imagino que sou o sonho de consumo de qualquer hair stylist, chego à frente dele e digo: faça! Tem alguns que até assustam e ficam o tempo todo fazendo perguntas se tá bom ou se é assim ou assado. Não me interessa! Acho que tem medo da bronca, afinal tem tanta mulher que chora por causa de alguns centímetros de cabelo. E ai eu reforço: pode cortar! Ou ainda: pode deixar mais tempo! - quando rola o medo de ficar muito claro. A parte que eu mais gosto é quando vem com uma coisa nova: navalha, máquina, tesoura com dentes, sei lá o que mais.

Talvez tudo isso seja a razão pela minha falta de fidelidade com o profissional. Eu até gosto de alguns. E me mantenho com eles. Por outro lado, sempre aparece uma oportunidade de experimentar outro. E lá vou eu. Atrás do desing, da arte, da criatividade. Do brilho nos olhos daquele que coloca a mão em meus cabelos e deixa sua marca.

Por vezes dá errado. Tudo bem, cresce de novo!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Fissura

Não vou usar a gíria para este caso. Fissura hoje significa que rachei o osso. O osso do pé para ser mais precisa.

Numa caminhada boba e diária com Maria (minha cachorrinha) torci o pé. Buraco de calçada. E eu estava bem devagar. Fico imaginando se eu tivesse correndo... Ui. Deu até pra ouvir o "clek" quando pisei no buraco. Sentei e chorei. Até faltou o ar. Não me lembro de ter sentido dor igual.

Como tudo na vida tem uma razão tenho minha mãe aqui comigo por uns dias. Ela pegou Maria levou pra casa e depois voltou pra me buscar. E ai começou aquele processo de chamar táxi, ir ao ortopedista. Raio-X. Pé imobilizado. Cadeira de rodas. Volta pro táxi.

Relembrei a brincadeira do Saci e fico pulando num pé só. E o resto do tempo tenho que ficar sentada - ou deitada. E o pé pra cima - literalmente com o pé pra cima! Por quantas vezes a gente tem tanta vontade de não fazer nada e colocar o pé pra cima. Quantas vezes pensei nisso: ai, tudo que queria era colocar os pés pra cima... E nunca pensei que pudesse ser assim. E claro que não queria que fosse assim! Mas agora é forçado. Imperativo. Repouso absoluto. Tirar o pé do chão por sete dias (olha o sete ai, gente). Ou até parar de doer.  No momento a dor nem me permite imaginar tocar o chão.

E nem quero pensar na hora do banho! Ai que saco! Pelo menos o pé é mais fácil que o joelho, o braço ou a mão. Mesmo assim, nem quero pensar. Deixa o sofrimento pra hora certa.

Ainda bem que Ju não tá por aqui. Ter que trabalhar o dia todo e depois chegar e ter que me aguentar. Trancada em casa o dia todo e com dor. Uma ótima companheira! Vai sobrar pra minha mãe. Que resolveu me visitar bem agora. Já tô até com pena. Sobe escada. Desce escada. Pega água, trás o remédio. Faz a comida e leva o prato. E por ai vai.

Mais um episódio dessa vida. E dói hoje para dar risada depois. Coitada da Maria que vai ficar sem seus passeios. E da minha mãe, que vai me carregar da cama pro sofá. E do sofá pra cama.

Meu pé tomando um pouco de sol, pra esquentar os dedinhos!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sozinha

Por muitas vezes fico sozinha. Juliano viaja e me deixa só. Pode ser por uma noite, duas ou quarenta. Cada cidade que a gente vai ele tem outra pra ir. Normal. Não reclamo. Já tive que viajar por muitas vezes também. Mas no trecho, quando percebo, estou completamente sozinha.

E minha vida muda totalmente. Meus horários ficam malucos. Não tenho vontade de ir pra cama dormir. Fico sempre até muito tarde vendo um filme - ou dois, ou três. Sinto que a cama não fica tão confortável. No frio então, pior ainda: não esquenta! E cada dia que ele fica longe, mais tarde eu vou dormir. E mais tarde eu acordo. E tudo fica atrasado. O café-da-manhã é as onze, o almoço é as dezesseis. Jantar lá pelas dez ou onze da noite. E ai antes de dormir tem que ter um chá, afinal já passou das duas. Em uma semana minha vida já está de cabeça pra baixo.

Consigo preencher meus dias mesmo sem a rotina de quando ele está em casa. Talvez eu leia mais ou fique mais tempo no computador – com certeza! Cuido mais do meu jardim. Passeio mais com a cachorra. Tem dia que não dá vontade de fazer nada e tem dia que não paro. Aproveito sua ausência para mudar as coisas de lugar - de preferência os móveis da sala ou do quarto. Tiro tudo dos armários e separo aquilo que deve sair. Escrevo. Escrevo mil coisas.

E passeio. Ando por todos os cantos da cidade. Parques. Conheço ruas novas. Visito lojas conhecidas. Vou ao shopping e ao cinema. Vez ou outra ligo pra alguém conhecido e programo uma visita. E vou variando: um dia eu cuido da casa, um dia eu saio de casa, no outro não saio do sofá. Às vezes fico até as duas da madrugada trabalhando e no outro dia não trabalho.

Tenho prazer em ficar sozinha. Divirto-me. Adoro a calma e o silêncio. Gosto de não ter hora pra nada. Trabalho no horário quer quiser. Se der vontade de comer eu como, se der vontade de sair eu saio. Livre. Completamente livre.

E ai começa a saudades da rotina. Saudades do homem que vive ao meu lado e do agito que ele causa quando chega em casa todos os dias.  Sem ele perco a noção dos dias e das horas. Tanto faz se é terça-feira e se já é meio-dia. Responsabilidade zero.

Ele me faz viver melhor. Minha vida sem ele seria uma bagunça. E cada vez que acontece é ainda mais gostoso quando ele volta pra casa. Esse tempo sozinha me faz muito bem, porém melhor ainda é tê-lo em casa. Falando ou dormindo. Em casa.

E ai tudo volta ao normal. A rotina toma forma. Minha vida anda nos trilhos. Visto novamente a roupa da responsabilidade e volto ao mundo dos seres humanos comuns. Comuns e cheios de complicações, de loucuras. Que são necessários para nos dar o mínimo de stress. Um pouco de ansiedade. Que agita o sangue e faz o coração bater mais rápido.

E de repente já é hora de mais uma viagem. E me entrego a mim mesma novamente. Sozinha. Absolutamente só.

domingo, 3 de julho de 2011

Fumaça

Sinto o cheio que vem de fora. Madeira queimando. E não é qualquer madeira, é de lareira.

Vejo a fumaça subindo em direção ao céu de mesma cor. Quase não se vê a diferença dos tons. Chove e faz frio. E assim ambos se revezam - um brigando com o outro para ver quem é mais forte, quem ganha. Dias úmidos e frios. Vidros embaçados.

Entre a cama, o computador, a TV e os livros preencho meus dias. Os banhos são demorados. Gosto de ver o vapor saindo pela porta e encontrando o ar frio. Fumaça. Branca e leve. Que flutua pelo corredor.

Tem também o vapor que sai da xícara de chá. Dentre os diversos sabores escolhidos no Mercado Central, dois ou três sempre são especiais. O cheiro do capim limão. O gosto da camomila. Fumaça com aroma. Que penetra as narinas. Que chega à cabeça e trás lembranças.


Fumaça que sai da boca quando falo. Que evapora das panelas de comida. Do prato de sopa. Do queijo derretido no sanduíche. Do café fresco.

Frio e calor. Toda essa diferença de temperatura que mantem o silencio lá de fora. Não vejo ninguém com coragem para andar na rua. Nem carros. Nem motos. Os cachorros estão em suas camas. E seus donos também devem estar.

Aqui dentro tudo é paz. Escuto apenas a chuva que vai e volta. Sinto apenas o frio que vai e volta. E lá fora só a fumaça sobrevive. Lutando para ganhar espaço entre os pingos grossos. E chegar ao céu.

sábado, 18 de junho de 2011

Nômade

Esta semana me perguntaram por duas vezes como é ter uma vida cigana. E ai, hoje, alguém muito especial escreveu: me ensina a ser nômade? Não sei se posso. Ou se devo. Sei apenas que sou uma apaixonada por esta vida - que tem altos e baixos como qualquer outra.

Pensando nisso cheguei à conclusão que ser nômade é ser egoísta. A gente não pode se importar muito com as outras pessoas. Amo cada alma que ficou. Lembro-me da minha família e dos amigos que deixei em São Paulo e sofro de saudade - um pouquinho, logo passa. Sei que pela maioria das pessoas eu não teria ido embora. Mas não pensei nelas. Não pensei na solidão da minha mãe, no apego da minha avó e na convivência das amigas. Pensei apenas na minha vida. Na minha vontade de deixar São Paulo e viver uma vida mais branda. Juntei o que restava de mim e caí na estrada.

E não levei muita coisa. Viver no trecho não te dá oportunidade de se apegar à nada material. Um sofá que cabe numa casa não cabe na outra. Uma cama também. A bicicleta. O guarda-sol. O armário da lavanderia. Fora aquele monte de tranqueiras que juntamos ao longo dos anos quando moramos num mesmo lugar - não tem espaço nesta vida. Cada mudança é um caminhão de cacarecos que se vão. Vão pra quem precisa. Pra quem vai dar mais utilidade do que eu dei. Se algum dia eu sentir realmente muita necessidade - mas muita mesmo! - eu compro outro. A roupa de verão comprada na Bahia não tem uso diário no frio de Curitiba. Os casacos grossos comprados em Bagé ficaram guardados numa caixa dum armário qualquer na Bahia. E assim vai.

Egoísmo e desapego são palavras que caem bem. Tem outras: solidão, curiosidade, coragem (ou cara de pau?), fé, humildade.

A solidão de chegar numa cidade nova e não conhecer ninguém. Ter que conviver com você mesmo por algumas semanas ou alguns meses, até que as pessoas comecem a te incluir num circulo fechado de amizade. Ter que aguentar você mesmo por algum tempo não é fácil - definitivamente: NÃO É FÁCIL! Tem dia que dá vontade de chorar. Tem dia que dá vontade de correr. E daí que entra a curiosidade. Quando você acha que chegou ao limite da solidão é a curiosidade que te tira da cama todos os dias pra que você conheça coisas novas e reaprenda coisas antigas. Curiosidade de saber quem são estas pessoas ao seu redor. O que elas fazem. Do que elas vivem. Elas vivem! E coragem para poder fazer estas e outras perguntas que vão preencher o vazio e a solidão inicial. Coragem pra largar aquilo que foi construído no último trecho. Coragem para fechar as caixas, separar o que não vai e esquecer o tanto que ficou. Coragem de ir embora e ter fé de que tudo vai dar certo. Acreditar que é o melhor que você pode fazer. Acreditar, simplesmente. E no fim, se nada daquilo que você planejou e acreditou não acontecer tenha a humildade de voltar. Lá no marco zero, no porto seguro - na casa da mãe, porque não?! Colocar o rabo no meio das pernas e começar de novo.

Nômade, cigana, trecheira. Sei lá. Quantas coisas eu aprendi. Quantos lugares eu conheci. Quanta gente eu encontrei. Coisas, lugares e pessoas que dançam dentro de mim. É isso que carrego comigo. É isso que enriquece minha vida. Que faz o sangue correr nas minhas veias. Não vou mentir: dá trabalho, é estressante. Machuca. Eu engordo. Perco sono. Ou o apetite. Mas tudo isso também aconteceria comigo em São Paulo - acho até que com mais frequência que no trecho. Lá naquela vida morna. Cheia de rotina.

Dizem por ai que a rotina é o segredo da vida longa. Será? Não pra mim. A rotina me esmaga e quando ela começa e tomar conta de mim é hora de ir embora. De novo. Não sei por quanto tempo. O próximo trecho sempre pode ser o último. Mas é assim que eu vivo. E depois que acostuma a gente sente falta - parece droga que vicia. Não sei se já nasce com a gente ou se apenas floresce. Mas é um dom. Ou um defeito de fabricação? Um jeito de viver que incomoda uns e assustam outros.

E pra quem perguntou eu digo: se joga! Deixa acontecer. Não exagere nos planos. Não fique triste se eles não se realizarem como você gostaria. E não se preocupe porque sempre dá certo!

Vai. Junte duas ou três coisas importantes e siga seu caminho.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Miau

"Hoje Miau foi pro céu dos gatinhos". Assim minha mãe me deu a notícia.

Ela nasceu no carnaval e nos deixou no dia de Santo Antônio. Datas tão especiais como a gata que me deu tantas alegrias. Companheira de cama de muitas noites. Companheira de brincadeira de muitas tardes. Companheira de sol de muitas manhãs.


Ela chegou em casa logo depois que meu pai morreu. Eu e meu irmão ainda estávamos meio perdidos e ela veio para nos dar um pouco mais de sentido. E lembrar que cada vida que vai tem sempre outra que chega. E assim o ciclo continua pra quem permanece na Terra.

Miau nome engraçado e óbvio. Mas era assim que ela atendia. Tentamos dar outro nomes pra ela. Não adiantou. Só olhava se fosse Miau.

Focinho preto. Olhos azuis. Siamesa de gênio animal. Felina. Brincalhona. Irritadinha. Gostava de brinquedinhos - fitinhas, bolinhas e tudo mais que se mexia. Caçadora de pequenos insetos. E encarava qualquer cão maior que ela. Abusada. Cheia de vida e de energia. Pulava muros, desaparecia no cio. E voltava pra casa. Sempre voltava.

Guerreira. Passou por um câncer há dez anos. Sobreviveu como se nada tivesse acontecido. Teve um AVC há quatro anos e seguiu como se fosse apenas um tropeço. Teve muitos filhotes.

Teve uma vida de rainha. Ração importada. Sardinha. Água fresca. E de fresca ela não tinha nada. Adorava iogurte de morango, brigadeiro e presunto. Saia de qualquer canto quando sentia estes cheiros.

Dizem por ai que gato é estranho, independente e distante. Miau era o oposto. Adorava colo, carinho, amizade. Brincava de de esconde-escode, pega-pega. As vezes parecia cachorro, as vezes gente, as vezes fera. Mas era gato.

Foi ficando velha. Perdendo os dentes. Perdendo o brilho. Ganhando paciência. Tranquilidade. Teve o respeito dos filhotes que mesmo depois de velhos e crescidos ainda abaixanvam a cabeça e o rabo quando apareciam em casa. Era a dona da casa.

Eu e meu irmão saimos de casa e ela ficou lá com minha mãe. Porém cada vez que aparecíamos ela nos aceitava como se fosse vista todos os dias. Ainda me dava um beijinho quando me via. eu pega ela no colo e dizia: me dá um beijinho? Ela encostava o focinho no meu rosto e dava uma lambidinha. 

Sumia nas festas. Aparecia quando alguém novo ia em casa. E adorava cutucar quem não gostava de gatos! Nos ultimos anos o peso da idade caiu sobre seus pelos. Comia pouco. Brincava pouco. Dormia muito.

Não sei se foi o frio ou a idade, mas não resistiu. Subiu ao céu como um anjo. Sem dar trabalho. Dormindo no quintal. Sob o sol que tanto gostava.

Vinte e um anos de vida plena. Vividas com toda a intensidade que um gato pode viver.

Dia triste. Dia de luto. Mais um pedaço de mim que se vai. E que deixa em mim a marca dos amados.

Domingo

O Domingo, por fundamentação bíblica, é considerado o primeiro dia da semana. É um dia de descanso para a maioria das pessoas no mundo ocidental. Povos antigos reverenciavam seus deuses dedicando este dia ao astro Sol. Daí outras denominações para este dia, em inglês temos Sunday, e no alemão Sonntag, com o significado de "Dia do Sol". Isso me dá uma enorme desculpa para gostar tanto do domingo.



Domingo é assim um dia que eu adoro. Acho que por causa dessa tradição de almoço de domingo na casa da vovó. Desde pequena o domingo era o dia do agito. Além do descanso. O almoço nunca era em casa. E se fosse era uma festa.

O domingo até hoje é especial. Nada é comum no domingo. A gente não sabe o que fazer, nem tem hora pra acordar e nada é muito planejado. O objetivo é sair da rotina. É um dia ótimo para conhecer um lugar novo. E também para relembrar um lugar antigo. Dar uma volta num parque. Entrar num museu. Visitar um tio. Encontrar um amigo.

É um dia para esquecer o trabalho - quando a gente não tá trabalhando. Para fazer coisas gostosas, interessantes. Que nos faça lembrar que viver vai além da nossa rotina diária. Mesmo que seja um dia frio e fique o dia todo vendo filme, lendo um livro ou jogando vídeo game.

O domingo é dia preguiçoso. E curto. Mesmo quando começa cedo. Lá em Mucuri/BA a gente ia pescar às seis da manhã. Ou então tomar banho de mar. O sol era tanto logo cedo que não dava pra ficar muito na cama - o ar condicionado não dava conta do sol batendo na janela e esquentando o quarto. Em Bagé/RS a gente corria para o Uruguai - para dar tempo de almoçar lá, fazer umas comprinhas e voltar antes de escurecer e esfriar. Três Lagoas era a beira do rio. Juntava uns dois ou três - ou até uma centena, dependendo do evento - e ia todo mundo pra beira do rio. Tomar banho de água fresca, comer fruta do pé e fazer churrasco, muito churrasco.

Aqui em Curitiba é cidade grande. Com hábitos diferentes e temperatura incerta. Se o tempo for bom o ideal é dar uma caminhada num parque. Num dos inúmeros que existem. Um em cada bairro. Pequenos ou grandes. Fechados e abertos. Com ou sem lago. Com ou sem bosque. Com o sem centro cultural. O que importa é ter espaço. E de preferência o sol. Muito sol!

A hora do almoço também tem que ser diferente. Um restaurante de comida diferente, um pick nick, um churrasco no quintal. Com a família, com  os amigos. Ou só nós dois mesmo. É o dia que dá vontade de fazer a massa do macarrão - já que nada tem pressa. De tomar uma cerveja antes do almoço. De dormir depois do almoço. De tomar café da tarde numa padaria ou na casa de alguém. De comer lanche no jantar.

É o dia de esquecer o relógio. Esquecer das contas pra pagar. Esquecer dos problemas de todos os dias. E de lembrar-se da gente. De dar importância aos nossos pequenos prazeres. De estar perto de quem a gente gosta. De demonstrar cuidado e carinho.

Dia de corrida de fórmula 1, dia de jogo de futebol, de programa do Silvio Santos. Dia de ir à missa. De agradecer. De ligar pra mãe - ou pro pai. Dia de sentar na varanda e não fazer nada. Olhar com atenção para o céu. Ou simplesmente olhar para o céu. Dia de treinar a paciência no trânsito ou na fila do restaurante. No estacionamento do parque ou no caixa do mercado.

Aproveite o domingo para recarregar as energias pra semana. Descase. Divirta-se. Cuide de você. Levante da cama e do sofá com a proposta de ser feliz. E faça aquilo que te deixa feliz. Porque logo acaba. E quando acaba a gente já espera pelo próximo.

"Domingo eu quero ver o domingo passar
Domingo eu quero ver o domingo acabar
Domingo eu quero ver o domingo passar
Domingo eu quero ver o domingo acabar
Até o próximo, até o próximo, até o próximo domingo
Até o próximo, até o próximo, até o próximo domingo"*

*Titãs, música: Domingo. Composição: Toni Bellotto e Sergio Brito.